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A moda está fora de moda?

As tendências na indústria da moda com a pandemia Covid-19.


Em 2015, durante o evento Voices promovido pelo Business of Fashion, a icônica previsora de tendências Li Edelkoort disse a seguinte frase: “Fashion is old-fashioned" - a moda está fora de moda, durante sua apresentação do importante manifesto “Anti-Fashion: um Manifesto para a próxima década”.


O manifesto, que tem como objetivo expor os diversos problemas da indústria da moda dos próximos anos, além de indicar caminhos sobre como devemos enfrentá-los, foi lançado há cinco anos. Apesar das discussões geradas naquela ocasião, parece que somente agora, com a crise causada pela Pandemia Covid-19, é que temos a oportunidade de mudar o status quo da moda e revolucionar a indústria. Evidenciando o momento atual, Li disse recentemente à Business of Fashion que a pandemia é a grande oportunidade da indústria sair do “carrossel”, ou seja, desse ciclo vicioso de alta produção e consumo.


Com certeza um dos nomes mais importantes dentro da pesquisa de tendências de moda e design é a holandesa Li Edelkoort. Nascida em 1950, Li é radicada na França, onde desde os anos 1980 tem sua renomada agência de tendências, a Trend Union, e também é reitora dos estudos híbridos de Design na Parsons School of Design. Ao ler seu manifesto Anti-Fashion, podemos pensar que suas observações sobre o futuro da moda são um pouco óbvias. Porém, há cinco anos não era um pensamento comum: isso mostra, exatamente o que é o trabalho de um previsor de tendências como Edelkoort, que observa as circunstâncias atuais com seu senso crítico e metodologias específicas, para assim entender o que acontecerá em um ano, cinco ou dez anos, ajudando marcas, pessoas e instituições a se prepararem para o futuro.



“O vírus está nos forçando a fazer coisas que já gostaríamos de fazer”

disse Li Edelkoort em entrevista para a revista Dezeen. Apesar de seu manifesto já apontar as mudanças, Li diz que agora é a hora para surgirem “novas palavras, novos códigos e novas ideias de como fazemos e produzimos”. Uma das tendências que ela aponta em um podcast para a BoF é a valorização do artesanato, já que em tempos de crise procuramos a humanização, o conforto que peças feitas à mão e com história podem trazer. Essa tendência pode ser chamada de “slow fashion”, cujo termo foi criado pela inglesa Kate Fletcher e significa o oposto da moda rápida, muito criticada por Li.


Segundo o manifesto, o grande problema da indústria da moda atual é o foco somente no crescimento das vendas. Isso desencadeia uma criação superficial, onde os designers não aprofundam seu conhecimento nas propriedades e qualidade dos materiais que compõem a roupa, promovendo, assim, somente os preços baixos, que tem como consequência o crescimento de trabalho escravo. Além do impacto produtivo, os consumidores desaprenderam a “saborear” os produtos, comprando roupas de forma descartável, e acabando com a cultura de moda.


Recentemente, uma das soluções apontada por Li em um podcast para a BoF, é a colaboração como forma de inovação e sobrevivência. Segundo ela, as escolas de moda ensinam os designers “a serem individualistas e criam esse sonho de ser um estilista único e renomado”. Na sua opinião, deveria ser ensinado o contrário, referindo-se que a moda só irá sobreviver se houver uma indústria que trabalhe em conjunto e pense no coletivo. Li observa que os alunos que estão se formando neste ano pandêmico estão sendo muito criativos pois diferentemente de outros anos, estão tendo que se virar dentro de suas casas sem as grandes tecnologias das escolas, achando soluções inovadoras para as suas criações. Ela acha que “eles estão sendo treinados como nenhuma outra geração, sendo completamente independentes, improvisando sua oferta e visão.”


Ao ler e ouvir a opinião de uma das previsoras de tendências mais influentes como a Li Edelkoort, é possível entender que a moda precisava dessa pausa que a pandemia gerou no mercado. A reinvenção é necessária, repensar nos processos é vital. Nos resta agora, estar atentos a esse período de mudanças e usar as ferramentas corretas de previsão e leitura dos comportamentos humanos que refletem na moda para sermos profissionais de sucesso.


Caso queira aprender mais sobre pesquisa de tendências, participe do curso com Sandra Mathey García-Rada. Peruana radicada em Paris, Sandra é formada pela Parsons School of Design e trabalhou por quatro anos na escola e agência de tendências Fashion Snoops.









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