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Do couturier ao stilista: como entender as diferenças entre a cultura de moda francesa e a italiana


Torre Eiffel: símbolo de Paris, parada obrigatória na visita à cidade



Na maioria das vezes, o imaginário popular sobre o “centro do mundo” quando o assunto é moda, nos leva a Paris. E isso não é só uma ideia presente nos países colonizados pois, mesmo na Inglaterra ou na Itália, a cultura de moda local foi construída para enfrentar a hegemonia francesa.


Assim, não haverá um só livro de história da moda inglesa ou italiana, que não citará, pelo menos uma vez, o impacto que a França, ou essencialmente Paris, teve sobre o desenvolvimento da moda local.

Ao mesmo tempo, apesar da presença constante e comercialmente falando, altamente lucrativa da moda italiana, não falamos tanto assim da Itália ou, pelo menos, Milão costuma ser a segunda opção para viver uma “imersão” de moda, principalmente para as pessoas menos conscientes do que a Itália significa hoje para a moda global. Segundo a Lyst, a maioria das marcas mais desejadas do mundo segundo são as italianas – Gucci, Versace, Bottega Veneta, Prada, Dolce Gabbana e por aí vai -, e isso, sem dúvida, não poderia ser ignorado.



Marcas italianas como a Dolce & Gabbana são conhecidas e desejadas em todo o mundo.


E é por isso que para entender a cultura de moda contemporânea, é necessário se fazer a seguinte pergunta:


Se Paris nunca perdeu seu posto, mas Milão, no fim, é que concentra as grandes marcas de moda hoje, qual é a força de cada uma dessas cidades?


Antes de mais nada, como tudo começou... Ainda que academicamente falando existem muitos estudos que indicam que o fenômeno da moda também se desenvolveu no Oriente em tempos similares aos Europeus, na nossa vida diária, nós aprendemos a “viver a moda” segundo o modelo parisiense.

Palavras como luxo, distinção, ostentação, elegância etc., entraram para nosso vocabulário na forma de regras ditadas a distância, que chegaram até nós por meio de revistas e livros que retratavam como as pessoas deveriam se vestir e se comportar, ou seja, quais eram os modos e modas adequados em cada idade, momento ou lugar, por exemplo.

E essa relação da roupa com a forma de cada um de nós se apresentar em público, se estabeleceu em Paris. Então, por mais que muitas vezes pensemos que a importância da França em relação a moda tem a ver com a Alta Costura, o que nos marcou, de verdade, foi a experiência da rua. Lojas, vitrines, experiência de consumo, o passeio, a cidade, oportunidades de “ver e ser visto”, definiu a forma como entendemos a moda: gostamos e nos divertimos com as compras, entendemos que estar “bem vestido” é valorizado, queremos acompanhar as novidades e pertencer a grupos sociais que se distinguem pela aparência e assim por diante.



Em Paris, as vitrines e fachadas das grandes Maisons, são verdadeiros pontos turísticos.

E o mais interessante, é que foi justamente o sucesso que essa forma de viver teve, que acabou fazendo com que Paris abrigasse os grandes costureiros, pois a cidade, desde o século 19 (e antes) era considerada um lugar moderno, aberta a esse empreendedorismo ligado a moda: a concentração da oferta de tecidos, aviamentos, complementos e acessórios, lojas e costureiros, e finalmente as inúmeras publicações e revistas de moda, criaram Paris como "A capital" mundial da moda. E essa posição privilegiada, com certeza, teve seu eco em outros lugares distantes e em outras metrópoles europeias como Londres e Milão, onde também havia tecidos, fios, acessórios, publicações e criadores, mas o prestígio não era tanto. Na verdade, todos eles olhavam para Paris como modelo a ser seguido ou combatido, dependendo do ponto de vista. O caso milanês: a mais nova capital da moda Ao longo do século 20, quando se deu a popularização da moda nos quatro cantos do mundo, todos seguíamos olhando para a moda aspiracional criada em Paris, do luxo e do esplendor. Eram os grandes couturiers estabelecidos na cidade, que ditavam as regras do que era e do que não era moda. Seus modelos e linhas de estilo eram copiados e reproduzidos como verdades absolutas, tanto por outros criadores quanto pelas costureiras e modistas que faziam roupas sob medida. O que os estudos indicam é que depois da Segunda Guerra e principalmente quando a moda se tornou mais simplificada e consumida pelos jovens – estamos falando no período que vai de 1945 aos anos 1960 -, Paris teve que dividir seu poder com outras cidades, como Nova Iorque e Londres. De certa forma, outros valores começaram a aparecer e nem todas as Maisons se habituaram aos novos tempos. Talvez possamos dizer que o glamour permaneceu mas sua hegemonia, diminuiu.



A Galleria Vittorio Emanuele em Milão, é considerado o primeiro shopping center do mundo.

E foi aproveitando esse momento que nos anos 1960-1970 a Itália começou a disputar, com quatro cidades na liderança, o lugar de uma nova capital da moda. Turim, Roma, Florença e Milão, queriam tornar-se a quarta capital global, mas foi Milão a vencedora. E isso não aconteceu por acaso: a cidade reunia todas as condições para o estímulo e crescimento e ganho de prestígio da indústria da moda italiana e foi nela que os “stilistas” e suas marcas se instalaram. Do couturier ao stilista: formas de ver, trabalhar e viver de moda


O que pensamos sobre a moda se deve à relação entre seus três pilares: formas de criar, de produzir e de consumir. E, como podemos supor, vivemos a moda conforme o valor que se define nesses pontos. Uma roupa exclusiva, feita a mão, raramente será jogada na máquina de lavar de qualquer jeito. Enquanto uma peça que compramos na loja mais barata do shopping, geralmente não é tratada com o mesmo carinho....


E é por isso que é fundamental, para entender a moda contemporânea, conhecer as diferenças entre o modo de criar e produzir do couturier e do stilista. Pois cada um deles, à sua maneira, criou uma forma única de viver a moda.

Enquanto o couturier é aquele profissional que cria e produz sonhos e o cliente tem uma relação pessoal e exclusiva com ela, o stilista é o profissional que “nos empresta” seu bom gosto de forma coletiva. Ele cria uma marca, uma assinatura e um logotipo que “substituem” o prestígio trabalho da criação individual mas mantém uma certa aura de distinção. Quando compramos uma roupa Armani, não se trata de um criador qualquer e anônimo. Imaginamos até que possa ser Giorgio Armani quem a criou ...


Porém, diferentemente do que acontece com o couturier, que além de oferecer uma criação exclusiva e produção artesanal um a um, o stilista controla o sistema de produção, oferecendo a repetição e a seriação mas com alto nível de qualidade. Ao comprar um produto Armani, compramos uma peça meticulosa, passando pelo desenho, modelagem, produção e, claro, ponto de venda.



Ao adquirir um produto com um logotipo de um stilista, acreditamos que por trás dessa criação está a alma do criador.



E assim, o que o stilista nos oferece é uma experiência diferente daquela que vemos nas grandes Maisons, onde ainda temos alguns couturiers, mantendo vivo todo o glamour e exclusividade da moda francesa. Claro que até eles já imitaram os italianos e oferecem em suas lojas produtos seriados e não exclusivos, mas a aura ainda está lá e segue nos encantando.


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