Milão: Fashion Capital

Atualizado: Abr 21


Vitrine da Dolce & Gabbana, Quadrilatero della Moda: ousadia e atenção.


A expressão capital da moda é um termo bastante conhecido e usual das pessoas que trabalham ou se relacionam com a moda de forma mais profissional. É um adjetivo de respeitabilidade no campo da moda, porque indica que, de alguma maneira, aquela cidade é importante - difícil encontrar alguém que saiba descrever isso com propriedade -, quanto o assunto vai de marcas de moda, nomes de criadores e tendências. Considerando que essa descrição muito utilizada pelo senso comum não expressa a complexidade e a importância do que significa ser uma Fashion Capital, este post se dedica a explicar isso, tendo como premissa a cidade de Milão.


Ao lado de Paris, Londres e Nova Iorque, Milão é uma Fashion Capital de importância inquestionável. Ainda que pudéssemos apenas nos limitar ao imaginário que está por trás da associação MILÃO = MODA, já seria suficiente. Como se sabe, se grande parte das pessoas acredita que um fato é verdadeiro e não pede comprovações sobre ele, esse fato é considerado uma verdade que interfere e age na vida das pessoas: turistas comuns, por exemplo, quando vêm a Milão gostam de comprar roupas e acessórios porque acreditam que estão no centro do mundo em termos de estilo.


Para começar a explicar devemos partir do termo capital. A origem da palavra tem relação com cabeça e poder e, portanto, é usada desde a Antiguidade para designar a cidade na qual o comando ou a direção estão estabelecidos. Nessa cidade vivem e operam os líderes quando dão ordens dentro da esfera política, cultural e social. Por isso, capital da moda, significa em termos estritos que esse lugar direciona a cultura de moda em uma grande extensão, que vai além de suas fronteiras geográficas.


Apesar de já possuir uma história na produção de roupas e tecidos e, também, uma profunda conexão com as artes, Milão tornou-se uma Fashion Capital apenas na década de 1970. Foi a ascensão do prêt-à-porter e dos nomes de criadores famosos, os chamados estilistas, que deu a Milão um lugar exclusivo na cultura de moda ocidental. Mas isso só ocorreu porque havia na cidade condições ideias para que esses nomes se projetassem internacionalmente, requisito indispensável para ser uma capital da moda.


Assim, esses são os quatro fundamentos aos quais Milão correspondeu:


  1. É fundamental existir um centro de produção relacionado com a cidade, ainda que, cada vez mais, seja possível levar a produção a outros lugares. Isso quer dizer que o jeito de fazer (produzir) roupas, acessórios e afins deve expressar condições locais que têm relação com uma trajetória própria: pode ser do luxo, da linguagem artística ou da qualidade industrial. Milão mistura um pouco de todas elas e sempre, deste tempos imemoriais, foi criadora-produtora de artefatos atraentes.

  2. É indispensável a presença da mídia como aliada da moda. Em Milão, na década de 1970, havia muitas editoras instaladas na cidade, além da TV nacional. Sem a colaboração da mídia, as ideias, nomes, produtos etc. não conseguem se propagar.

  3. A moda deve ter importância econômica para que receba apoio e investimento constantes dos entes governamentais. Sem ser considerada relevante no âmbito econômico e cultural, a moda produzida localmente não consegue adquirir a força necessária para convencer os demais de seu papel de liderança. Assim, o governo atua na organização e facilitação de eventos, de suporte dos nomes da moda, de benefícios e valorização das indústrias do setor e, também, da sua proteção. Associações e projetos de incentivo devem ser diversificados e atuantes.

  4. Deve existir uma cultura artística e de moda legitimada. Há alguns anos, bastava haver alguns nomes e bons clientes que certificavam a qualidade dos criadores. Atualmente, são as instituições de ensino que ocupam esse lugar, tanto nas artes, quanto na moda. Assim, a presença de escolas e a sua valorização e alinhamento dentro do setor, possibilitam que se constitua a legitimação social de que a moda é uma atividade profissional séria. Além disso, não menos importante, a sociedade local deve ser convicta de que a moda produzida lá é importante, assim a usa e a valoriza. A moda deve circular e a cidade deve respirar moda.


Obviamente existem inúmeras semanas de moda em todo o mundo, mas são as localizadas nas Capitais da Moda que mobilizam todo o setor e influenciam milhares de marcas e criadores. Transformar-se em uma capital da moda não é tarefa fácil nem rápida, mas possível desde que haja investimento e profissionalismo, assim como aconteceu em Milão.


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