Entendendo o conceito de Fashion Heritage

Franz Xaver Winterhalter (1805-1873). A Imperatriz Eugênia rodeada por suas damas de honra, 1855. Fonte: Wikimedia Commons

O termo fashion heritage tem sido muitas vezes traduzido para a língua portuguesa como patrimônio de moda ou, ainda, patrimônio material ou imaterial de moda. Basicamente, nos referimos a ele para dizer que peças herdadas de gerações anteriores, normalmente guardadas em museus ou em coleções privadas, são importantes porque acumulam informações que nos permitem compreender a cultura de moda de um outro tempo e espaço. Do mesmo ponto de vista, quando nos referimos ao patrimônio imaterial da moda, estamos falando sobre processos de significação que estão ancorados na cultura de moda: uma maneira de usar uma peça, uma regra de comportamento, uma dança associada a uma roupa e assim sucessivamente.


Após a série de discussões promovidas na 5ª conferência organizada pela European Fashion Heritage Association, no London College of Fashion em Londres, pudemos observar que a expressão fashion heritage estaria mais alinhado com o conceito de herança. Isso porque, tem exatamente o mesmo sentido:


trata-se de um legado, um artefato que possui uma conexão emocional com quem o herda (no caso, a sociedade como um todo) e que nos ajuda a ocupar uma posição no tempo presente. A herança é um elo de conexão entre nossa atual situação e o passado que nos diz respeito.

Dito conceito foi discutido na conferência sobre três dimensões diferentes. A primeira, do ponto de vista teórico, com foco no papel da fashion heritage na cultura de moda contemporânea. O segundo, enfatizou o uso da fashion heritage pelas empresas de moda, sobretudo nos aspectos de capitalização e comunicação de sua herança de moda. Finalmente, com foco no trabalho de museus e coleções, a conferência abordou a dimensão humana e social do fashion heritage, na organização de exposições e acervos de museus.


No que tange aos conceitos, um dos pontos que merece destaque foi a questão da utilização de arquivos digitais (sobretudo imagens) como um grande acervo que representaria o patrimônio de moda da sociedade contemporânea. A plataforma We Wear Culture da Google foi questionada como uma forma de organização da nossa herança de moda, uma vez que o conteúdo não é apresentado de forma coerente para transmitir as informações imprescindíveis para esse tipo de conscientização. Talvez, ao contrário, contribua para um acúmulo de imagens de pouco ou nenhum sentido para muito dos visitantes da plataforma, que a depender do modo de usá-la podem acabar por pasteurizar as referências encontradas.


No campo das empresas, diferentes acervos foram discutidos e seu uso também. Dior, Vivienne Westwood, Missoni e Ermenegildo Zegna possuem departamentos importantes que conservam e trabalham sobre o legado dessas empresas, atuando em diferentes frentes, desde o empréstimo de peças para exposições até o uso de seu material como fonte de pesquisa para a equipe de criação. Em comum, todos esses departamentos têm o propósito de dar vida ao acervo para que ele seja cada vez mais acessível.


Finalmente, dentro do escopo das exposições, foi tratada a importância política que os acervos possuem por meio dos efeitos do discurso de heritage construído por meio deles. Isso quer dizer que, mostrando a um público contemporâneo que aquilo que somos resulta daquilo que fomos, podemos nos entender e atuar mais coerentemente em relação ao futuro.


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