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Moda: sustentabilidade e vantagem competitiva

Administradora e mestra em design, fascinada pela pesquisa. Acredito na divulgação científica e na educação como meios para um mundo mais sustentável.




Quando falamos em vantagem competitiva a preocupação imediata das empresas, via de regra, gira em torno de como se proteger dos concorrentes e de como eles podem afetar as relações com fornecedores e clientes. Nesse sentido, ao olhar para o atual delinear do mercado de moda sustentável, o que vemos é uma grande aceleração no desenvolvimento e na disputa por esse melhor posicionamento relacional, o que exige cuidado e dedicação redobrados das marcas que pretendem se manter fortes.


Somos testemunhas de uma mudança muito veloz de um mercado pouco explorado e desafiador tanto em tecnologia como em definição, para a segmentação de nichos muito estruturados e exigentes, compostos por consumidores mais conscientes e engajados. Enquanto no fast fashion e nos grandes circuitos o público cada vez mais clama pela resolução de uma gama de problemas sociais e ambientais causados pela indústria da moda, para as micro e pequenas empresas, as pequenas marcas e criadores autorais o que vemos é um espaço mais saturado por propostas de produtos semelhantes. No contexto atual, as marcas e profissionais precisam se preparar mais e melhor para todos os desafios de afirmarem e, mais gravemente, manterem uma imagem de sustentabilidade.





O que antes poderia ser chamado de Oceano Azul, de acordo com a proposição de Chan Kim e Renée Mauborgne, um mercado pouco explorado e com grande abertura para tentativa e erro, hoje se configura um espaço competitivo, cuja dinâmica é intolerante ao erro e dificilmente oferece segundas chances. Um exemplo desse espírito é o caso da Patagonia, dona de um longo histórico em defesa da sustentabilidade, que precisou se retratar e desculpar publicamente após um -- e apenas um -- de seus produtos ter sido provado pela pesquisa de ativistas e consumidores não tão sustentável como a propaganda fazia aparecer.


Para empresas entrantes no mercado e para os pequenos empreendedores, a necessidade de comprovar suas declarações de sustentabilidade também são pesadas e apenas o discurso de “somos éticos” não convence mais.


A transparência é uma exigência


Declarar os valores organizacionais deve vir acompanhado pela comprovação de que eles são atendidos. As empresas que melhor se mantêm como referências nesse contexto são aquelas que descortinam suas ações concretas e até mesmo sua estrutura financeira. A Insecta Shoes há anos abre suas contas e seu processo de gestão de materiais para assegurar aos clientes e interessados a veracidade do seu comprometimento com o comércio justo e com o meio ambiente.


Tal postura indica não apenas grande segurança sobre o que se faz dentro dos muros da empresa, mas torna também muito difícil para os concorrentes continuarem em silêncio em relação aos próprios dados. Nesse ponto, a Insecta consegue manter sua vantagem competitiva de forma segura, tornando-se uma referência em produto e em gestão.





Relações mais sinceras e justas




Outro fator em comum entre as empresas que se destacam na dianteira do mercado são as boas relações com clientes e fornecedores. Nesse quesito, não é incomum encontrarmos marcas que vendem a ideia de sustentabilidade em produtos com referências étnicas e folclóricas ou mesmo a partir do uso de técnicas artesanais, que mais tarde são flagradas praticando apropriação cultural ou práticas injustas de reconhecimento aos artesãos. Uma vez que isso aconteça, dificilmente a confiança do mercado será restaurada e a propaganda negativa tende a se propagar de forma exponencial.


Assim, aquelas marcas que conseguem comprovar um padrão ético e de boas práticas nessas relações agregam segurança e ganham espaço cativo nas preferências dos consumidores.


Criatividade e formação para oferecer novidades


Diante dessa configuração de mercado, tão comum à moda, vemos ainda mais destacadamente a necessidade de profissionalização e da estruturação das ações dos criadores, dos empresários e de todos os profissionais. A sustentabilidade é mais um valor que surgiu como tendência de mercado e hoje é estabelecido como um requisito para qualquer empresa que busque vantagem competitiva.

Somada à criatividade para o desenvolvimento de produtos mais sustentáveis, a formação de profissionais capacitados para esta nova realidade é imprescindível, desde a formação de um imaginário cultural até o domínio de técnicas e ferramentas de design e gestão adequados às novas tecnologias e exigências mercadológicas.





O livro Caminhos da Sustentabilidade na Moda traz uma análise mais aprofundada sobre o pioneirismo e a vantagem competitiva consolidada pela Insecta Shoes, além de uma série de ferramentas de análise de oportunidades para inovação com fundamento sustentável.





Para profissionais interessados em se manterem capacitados para os novos desafios de um mercado tão exigente, a Fashion For Future oferece formação de qualidade e atual. Na próxima edição do curso Moda pela Mudança, os melhores profissionais e pesquisadores da área tratarão do assunto de forma sólida, consistente e positiva.


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