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O British style por trás de Cruella





Cruella, adaptação contemporânea de 101 Dálmatas – que tira definitivamente a crueldade animal de cena –, nos mostra a história de Estella, interpretada por Emma Stone, que alimenta desde criança o sonho de ser designer de moda . Tudo bem que ao longo da história a protagonista tem incontáveis oportunidades para demonstrar seu talento dramático para a criação, mas no pano de fundo, nada poderia ser mais British do que “começar a carreira” trabalhando na Liberty London.





Talvez, caso você não conheça muitos detalhes da história da moda Inglaterra nem tampouco sobre a história da arte e do design, pode não saber da relevância que a Liberty London tem pra todos nós que amamos moda. Fundada em 1875 por Arthur Liberty, logo ganhou destaque no contexto do apogeu do consumo de itens para a casa e para o vestuário que se viveu na Europa, porque inovou em dois pontos que merecem destaque. Em primeiro lugar, Arthur Liberty teve a perspicácia de contratar designers ingleses para adaptar tecidos (e até outros objetos) japoneses, o que resultou no Orientalismo, ou seja, a estética oriental com gosto inglês ou “estilo oriental”. Em segundo, mas não menos importante, a Liberty é reconhecida por ser a primeira loja/marca de tecidos a imprimir na ourela de seus estampados de fino algodão, o nome do designer. Liberty assim ajudou a consagrar e a valorizar a figura do criador, dando um diferencial para seus produtos, que eram criados pelos grandes nomes da arte e da arquitetura inglesa do início do século 20. Podemos dizer assim que Liberty alçou o designer à categoria de “autor” e, também, impôs o conceito de moda & estilo aos tecidos.





Voltando ao filme, Cruella está impecável esfregando o chão de madeira e limpando cada detalhe dos móveis do edifício de três andares no estilo Tudor Revival. A Liberty, localizada em pleno centro de Londres - Regent Street na área de Carnaby - aparece nas fotos históricas como pano de fundo da revolução cultural da década de 1960, o Swinging London. Considerado um dos momentos mais transformadores da moda com os beatniks, minissaias e todo o estilo de vida que isso representava, o Swinging inspirou mais à frente o nascimento da moda jovem italiana sintetizado pela emblemática Fiorucci. Quando isso chegou nos Estados Unidos, como sabemos, alcançou o mundo inteiro!


Deixe-se inspirar por Londres!


Mas Londres, sendo Londres – e vemos isso nos looks de Cruella -, também tem lugar para os meninos e meninas não tão arrumadinhos e perfumados como os de Carnaby. Algumas cenas do filme, como o vestido do caminhão de lixo, mostram claramente a influência da cultura punk e das raízes britânicas uma vez mais no figurino de Cruella. Poderia ser uma peça criada diretamente pelas mãos de Alexander McQueen ou por Vivienne Westwood, se pensamos a combinação inusitada entre silhueta e materiais, estes sempre dominando a modelagem quando se fala de moda britânica. Sim, porque é gostoso ver mas também é necessário aprender a olhar e a entender que os figurinos de Cruella o tempo todo estão em diálogo com aquilo que marca Londres, a cidade do fog, do frio e dos primeiros contos de serial-killers urbanos e contrastes sociais que conhecemos: enquanto nas ruas, há perigo, como vimos em Cruella, nas mansões há esplendor, luxo e exagero rebuscado.





Londres, uma cidade com quase 9 milhões de habitantes, é pura adrenalina para a moda jovem – não sabemos até que idade essa categoria chega! – porque permite que o multiculturalismo viva e faça seu dever de casa. Pessoas de todos os lugares do mundo encontram o que vestir em Londres e, também, onde se inspirar. A highstreet da área de Oxford x Regent Street onde está localizado o London College of Fashion; Sloane Square, onde temos as marcas caras e as “patricinhas e mauricinhos” londrinos; Camdem, famosa pela cena underground e como berço do movimento Punk; South Kensington e Chelsea, onde está a mais alta casta britânica e Shoreditch, que nos últimos anos teve um desenvolvimento incrível e foi o berçário da cultura e estética hipster, dos vintages descolados e da sustentabilidade como estilo de vida.


CONEXÃO MILÃO E LONDRES


Contamos tudo isso pra dizer que Londres é pura inspiração e que você não pode perder nosso bate-papo com Celina Schlieckmann, que trabalha nesta grande metrópole europeia na área de estamparia e conta com muitos anos de experiência na área de pesquisa. Para participar é fácil: inscreva-se neste link para receber o acesso a essa imperdível conversa.

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