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O profissional de moda do futuro

A partir de meados do século 19, surgiram no país as primeiras escolas técnicas voltadas para as mais diversas indústrias, que já viam a necessidade de ter uma mão de obra mais especializada para suprir as demandas do mercado. A indústria têxtil e de vestuário, que foi uma das principais indutoras do processo de industrialização na maioria dos países emergentes como o Brasil, já mostrava que precisava de um profissional mais especializado e com amplos conhecimentos gerais. Em 1942, no estado do Rio de Janeiro, nasceu o SENAI, centro de aprendizagem industrial que hoje tem como base principal andar paralelamente com as tecnologias da indústria.


Pensando no profissional de moda do futuro, Fábio Murcia Marques, coordenador dos cursos na área têxtil e vestuário do SENAI Textil em São Paulo, diz que o futuro profissional deve “começar a decidir os caminhos que quer trilhar”, para que antes de adquirir uma visão ampla do mercado, que também é necessária, ele tenha uma especialização e uma área de atuação mais demarcada, com muito conhecimento. Também dentro desse espectro, é preciso estar atento às tecnologias do futuro, mergulhar nelas também é essencial para que o profissional garanta sua permanência no mercado de atuação, já que de acordo com o professor “um profissional que não tenha o conhecimento de tecnologia não vai ser aproveitado pelo mercado”, pois principalmente quando falamos da indústria fashion, “não se permite que os processos sejam aprendidos ali dentro, não só por questões de segurança, mas pela velocidade de entregas hoje em dia”. Quando estamos falando de um produto de moda, temos que pensar nele com 2 ou 3 anos de antecedência, tudo tem que ser muito bem analisado porque o comportamento de mudança de mercado é muito rápido, ou seja, o profissional de moda precisa pensar adiante, seja por meio de tecnologias ou conhecimentos específicos.


O ensino da indústria 4.0 é o maior diferencial do SENAI, que possui cursos técnicos gratuitos e graduações e pós-graduações pagas. Esse modelo, investe na prática dos conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula, e usa a tecnologia como grande aliado no processo de aprendizagem e na hora de realizar tarefas que antes dependiam 100% da mão de obra humana, “por exemplo, uma modelagem que antes era feita somente no papel craft e régua, agora é feita com softwares que desenvolvem a modelagem por body scan, ou sistemas que mostram o caimento da roupa ao se inserir as medidas. A tecnologia é um caminho sem volta” complementa Fábio, que contou mais sobre esse profissional 4.0 para a terceira edição da Unsatisfashion, que tem como tema central a tecnologia na indústria têxtil.


Caminho este que podemos observar também como consequência da pandemia, que acelerou de forma brusca a digitalização dos processos que foram impossibilitados de serem realizados presencialmente, e migraram quase em totalidade para o digital. Porém, o professor adverte que nem tudo será substituído por robôs como nos filmes de ficção científica, já que o setor não depende exclusivamente da parte operacional e sim de conhecimento de mercado: “o consumidor exige sustentabilidade, um produto de qualidade, que gere um bem estar e satisfação na compra, e para que isso aconteça, você precisa de pessoas dentro do operacional que possuam um maior nível de conhecimento do mercado”.


Todos esses assuntos e tantos outros serão o tema da nossa entrevista ao vivo com o Professor Fábio em mais um talk da Fashion For Future. Na terça-feira dia 22 de junho, às 17h no horário de Brasília, Fábio Murcia discutirá com mais profundidade sobre o futuro profissional da área de moda com a chegada de novas tecnologias que prometem modificar o modelo estabelecido. Se interessou? Você pode se inscrever clicando aqui.



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