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De Nova Iorque a Paris: as técnicas artesanais nas semanas de moda primavera/verão 2022

Atualizado: 30 de ago. de 2022

Setembro é o mês da moda. Seja por conta das esperadas capas das maiores publicações do setor, como Vogue, Harper's Bazaar e Elle, ou pela sequência badalada de semanas de moda, os consumidores e fashionistas estão de olho no que vai bombar na próxima temporada e nas possíveis tendências que venham a surgir.


Sempre começando por Nova Iorque, a temporada de verão que acontece em setembro apresenta as coleções que irão para as lojas no verão do ano seguinte no hemisfério norte, e sua importância se dá pelo fato de que setembro marca um novo ano letivo em grande parte dessa região, ou seja, é como um recomeço. Dessa forma, Nova Iorque, Londres, Milão e por último Paris, se empenham em antecipar o futuro próximo em termos de roupas e estilo de vida.


Já as semanas de Alta-Costura, que acontecem duas vezes ao ano apenas em Paris, tem como um dos objetivos principais enaltecer o feito à mão e as técnicas artesanais, celebrando o savoir-faire dos ateliês centenários nas avenidas mais concorridas da cidade. Entretanto, como já adiantado por aqui, o artesanato também é uma grande aposta da vez para o ready-to-wear, e as técnicas como o bordado, a renda, o tricô artesanal e o crochê se mostraram muito presentes nessa temporada.


A brasileira PatBo, que estreou com seu desfile físico na NYFW e foi a única marca brasileira da semana, levou do Brasil seus bordados característicos, com franjas, recortes e que apareciam em diversos comprimentos. Em seguida, a marca homônima da estadunidense Rachel Comey, investiu em diversos formatos: vestidos e casaquetos de tricô e saias de crochê, compuseram o desfile em uma cartela de cores que misturou tons mais quentes com peças verde neon e amarelo esverdeado bem próximo ao chamado musgo.



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Ainda em Nova Iorque, nomes de peso também se apropriaram do tricô e do crochê, mas foi o macramê que se destacou. Altuzarra, do designer Joseph Altuzarra, voltou às origens da marca com uma coleção boho-chic, com tops de fios entrelaçados e detalhes únicos que complementaram grande parte dos looks. Além disso, algumas peças foram tingidas com uma técnica chamada Shibori (nome original do tie-and-dye), e feitas em parceria com artesãos do mundo todo. Anna Sui apareceu com biquínis de crochê descontraídos sobrepostos em peças que flertavam com o estilo hippie, além de colares e acessórios de miçanga que deram um ar mais fun. Como de costume, Gabriela Hearst, designer uruguaia, encantou com seu trabalho artesanal com desenhos assimétricos enquanto focava na produção sustentável, ética e artesanal.


Na ordem: Altuzarra, Anna Sui e Patbo


Na semana de moda londrina, que se destaca pelo streetwear e por marcas de designers emergentes e ousados, Matty Bovan marcou o primeiro dia da LFW com suas criações excêntricas, com padronagens geométricas e que transformou o crochê em moda festa. Desde uma manta tamanho giga até vestidos com silhuetas inusitadas, o crochê esteve presente em grande parte da coleção, que, de acordo com Bovan, foi inspirada em histórias familiares. JW Anderson, que também sempre aparece por aqui quando o assunto é moda artesanal, optou por vestidos de tricô com franjas e conjuntos assimétricos.


Na ordem: Matty Bovan e JW Anderson


Com a constante valorização do Made-In-Italy, o artesanal foi o que não faltou em Milão. Damos destaque para italiana Alberta Ferretti, com peças de macramê de fios de seda e crochê elaborados com fitas de organza, e também para Brunello Cucinelli, que seguiu um caminho parecido, investindo em tops de macramê sobrepostos e peças de tricô em fios com aplicações de paetês. Até a Blumarine, marca queridinha da Geração Z, incorporou as técnicas seguindo o seu estilo Y2K.


Com possibilidades infinitas trazidas pelas técnicas artesanais, Dolce&Gabbana inovou mais uma vez, incorporando o bordado de pedraria em vestidos, saias, jaquetas e tops, voltados para a vida noturna, com muito brilho, sensualidade, estampas e decotes.


Na ordem: Alberta Ferretti e Brunello Cucinelli


Para fechar o mês caótico para os amantes de moda, Paris, a semana que começou dia 27 de setembro e vai até 5 de outubro, mostra que também entrou na onda. O belga Dries van Noten valorizou o toque dos materiais de sua coleção, que foi apresentada digitalmente por meio de fotos. Plumas, cordas, franjas, tricôs e bordados deram a cara da apresentação em uma paleta de cores psicodélicas. O nigeriano Kenneth Ize e a etiqueta Victoria/Tomas também investiram pesado nas franjas, que provavelmente será um grande hit da próxima estação.


Dries van Noten


Ainda que a semana de Paris não tenha acabado, isso tudo só mostra uma coisa: a valorização do contato humano em todas as esferas da vida pós pandemia. A pandemia ainda não acabou, mas com a aceleração da vacinação e as constantes medidas que contribuam com o distanciamento social, o ritmo da mudança da sociedade reflete em todos os âmbitos, inclusive na moda. Se na temporada de outono inverno, que ocorreu no começo do ano, tivemos muita moda festa, com muito brilho, recortes e um enorme otimismo para a retomada de celebrações e aglomerações, agora vemos que ainda não estamos onde queremos chegar. A temporada primavera/verão 2022 mostra que se caminharmos juntos com consciência, humanidade e sobretudo, vacinas, aos poucos voltaremos a socializar e festejar.



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