Coleções de moda inspiradas na arte: o que é literalidade?

É muito comum, principalmente quando falamos de coleções autorais, utilizar movimentos ou estilos artísticos ou mesmo artistas como referência de criação, ou seja, inspiração. É usual, também, que em nome da "inspiração" na arte, coleções comerciais ou de estudantes, acabem ficando muito empobrecidas pela sua literalidade e até ingenuidade. Isso quer dizer, na prática, que os resultados podem ser muito iguais entre si e muito simplistas, por não explorarem outros recursos, além dos visuais, que a arte traz para a moda.


A literalidade, então, resulta de três procedimentos criativos comuns quando se pensa em usar a arte como inspiração:


A noite estrelada, Van Gogh, 1889 (MoMA)

Usar um estilo artístico ou mesmo uma obra de arte como referência e extrair dele ou dela somente informações visuais.

Imaginem, por exemplo, que criamos uma coleção inspirada em Van Gogh, em uma de suas obras mais famosas, "A noite estrelada". Embora o estilo adotado por Vang Gogh seja em si mesmo de beleza incontestável, limitar a coleção a uma estampa ou a apropriação de suas cores, seria deixar de fora muitos elementos intrigantes que poderiam gerar coleções realmente inovadoras: a tradução do movimento em volume, das cores em camadas ou níveis, do contexto da produção da obra na funcionalidade da nossa coleção, como o contraste do dia e da noite.


Mulheres no jardim, Claude Monet, 1886-1867 (Musée d'Orsay)


Usar obras de arte que tragam roupas e reproduzir essas peças na coleção.

Estratégia muito comum em coleções de inspiração em séries de obras de um único artista ou de vários (por exemplo, diferentes artistas que pintaram mulheres entre 1880 e 1890), diz respeito a quando usamos a obra como fonte histórica de referência. Por exemplo, se adaptássemos para um look contemporâneo os trajes da obra "Mulheres no jardim", de Claude Monet, poderíamos "atualizar" os vestidos, mas seria esse um meio de usar a arte como referência, ou estaríamos apenas usando uma cena como referência?


Catedral de Brasília, projeto de Oscar Niemeyer (1958-1970)

Pensar na arquitetura pela sua estrutura direta na modelagem

Principalmente nos casos nos quais se deseja ser inovador a partir da modelagem, é muito comum encontrar exercícios ou coleções que reproduzem a estrutura de edifícios, sobretudo aqueles mais orgânicos ou curvos. Se desejamos, por exemplo, criar uma coleção inspirada na Catedral de Brasilia (obra de Oscar Niemeyer), o senso reproduzirá sua forma cônica e sua estrutura em forma de nesgas, pregas ou similares. Se, essa tradução é assim tão simplificada e automatizada, podemos supor que não seria efetivamente criativa, no sentido em que descarta a questão da dimensão, da estrutura e até mesmo da inserção da obra no ambiente, por exemplo.


Coleção de YSL com inspiração na arte moderna (1965). Peças com base na obra de Piet Mondrian (ao fundo).

A utilização dessas estratégias não significa necessariamente que a qualidade da coleção está comprometida, pois sabemos que inúmeras criações, como a clássica de Yves Saint Laurent inspirada em Mondrian, utilizaram também esses artifícios. Ocorre, entretanto, que os famosos vestidos de YSL iam além da estampa: a arte moderna foi chamada a colaborar com o estabelecimento de novos parâmetros para a moda também. Os anos 1960 significaram uma importante transformação para a mulher e a moda e a arte moderna já tinham antecipado isso em seus propósitos, motivos e temas.


Quer saber mais sobre as relações entre a arte e a moda? Inscreva-se aqui na nossa live gratuita, que vai acontecer dia 5 de maio de 2020, às 15 horas.



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